Em 1986, a Tagima começou sua história em uma pequena oficina de luthieria em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Quatro décadas depois, a marca se transformou em uma das principais fabricantes brasileiras de guitarras e violões, com presença em mais de 20 países.
A trajetória, porém, esteve longe de ser linear. Entre a construção de uma identidade própria, a abertura do mercado brasileiro aos produtos importados e a posterior expansão internacional, a Tagima atravessou diferentes fases da indústria musical.
Para marcar os 40 anos da empresa, a Guitarload conversou exclusivamente com três personagens fundamentais dessa história: Ney Nakamura, CEO; Márcio Zaganin, responsável pelo desenvolvimento de produtos e pela luthieria; e Leandro Campos, diretor.
Da oficina à indústria
A história começou com Seizi Tagima, que transformou seu interesse pela construção e personalização de instrumentos em uma atividade profissional. Os primeiros modelos já carregavam características que permaneceriam associadas à marca, como atenção aos detalhes, construção cuidadosa e preocupação com a identidade sonora.
A década seguinte, entretanto, trouxe um dos momentos mais delicados da trajetória da empresa.
Com a abertura comercial brasileira no início dos anos 1990, fabricantes nacionais passaram a enfrentar uma concorrência muito maior de marcas estrangeiras. A Tagima também sentiu o impacto e chegou a atravessar uma grave crise financeira.

Foi nesse cenário que Ney Nakamura entrou na história da empresa. Em 1996, a Marutec Music assumiu o controle da Tagima, iniciando um processo de reorganização que mudaria definitivamente os rumos da marca.
A estratégia passou a incluir o desenvolvimento de uma identidade própria e a profissionalização da produção. Dez anos depois, Márcio Zaganin assumiria papel central nessa transformação, aproximando tecnologia industrial e construção artesanal.
Do Brasil para o mundo
A expansão internacional é outro capítulo importante dos 40 anos da empresa.
Atualmente, a Tagima mantém presença em mais de 20 países e possui operações na América do Norte e na Ásia. A criação da Tagima USA, em 2017, representou um passo importante nessa estratégia, aproximando a marca de um dos maiores mercados de instrumentos musicais do planeta.
Os instrumentos brasileiros também passaram a aparecer em diferentes palcos e eventos internacionais, enquanto a empresa ampliou sua participação em feiras como a NAMM Show.
E a história ainda está sendo escrita.
Em 2026, a Tagima completa quatro décadas enquanto prepara uma nova edição do TDT Music & Expo, evento que nasceu como Tagima Dream Team e cresceu até se transformar em uma plataforma de relacionamento entre fabricantes, lojistas, artistas e músicos.
Para Leandro Campos, o objetivo agora é ampliar ainda mais essa conexão e transformar o evento em uma referência para o mercado musical latino-americano.
Quatro décadas e novos planos
A história da Tagima mostra como uma marca brasileira precisou se reinventar várias vezes para sobreviver e crescer em um mercado marcado pela concorrência internacional, mudanças tecnológicas e novas expectativas dos músicos.
Mas os próximos capítulos podem ser ainda mais interessantes.
Ao falar sobre o futuro da empresa, Leandro Campos deixa no ar que existem projetos em desenvolvimento que fogem daquilo que o público tradicionalmente espera da Tagima.
A história completa dos 40 anos da Tagima está na edição nº 152 da Guitarload.
A reportagem recupera os principais instrumentos, artistas, decisões e momentos que ajudaram a construir a marca, além de ouvir os personagens que participaram diretamente dessa trajetória.
Se você quer entender como uma oficina paulista se transformou em uma marca brasileira com presença internacional, a edição 152 é uma viagem por quatro décadas da guitarra nacional.




