A Roland deu mais um passo em direção ao futuro dos pedais inteligentes. O Project Lydia, experimento de hardware com IA apresentado originalmente em 2025, entrou oficialmente em sua segunda fase de desenvolvimento durante a Superbooth 2026.
O projeto chama atenção por usar amostragem neural para transformar sinais de áudio em novos timbres a partir de modelos treinados por inteligência artificial. Em termos práticos, o sistema permite que um som assuma características completamente diferentes em tempo real.
A nova versão do Lydia surge mais refinada e próxima de um possível produto comercial.
Roland afirma que mudanças vieram do feedback dos músicos
Segundo Paul McCabe, líder do Roland Future Design Lab, as alterações implementadas nasceram diretamente das respostas obtidas em demonstrações, pesquisas globais e conversas com músicos.
“Esta versão reflete o que os criadores nos disseram que desejam de um hardware com IA em contextos musicais reais”, afirmou McCabe.
O Future Design Lab foi criado pela Roland em 2024 com o objetivo de explorar novas possibilidades para criação musical baseada em tecnologia emergente.
Desde a primeira demonstração pública, o Lydia gerou forte curiosidade justamente por tentar aproximar inteligência artificial e experiência física tradicional de pedais de efeito.
Project Lydia ganha tela LCD, MIDI integrado e operação independente
Entre as principais novidades da Fase 2 estão mudanças importantes na estrutura do hardware.
O novo protótipo agora oferece:
- Tela LCD integrada
- Memórias de presets do usuário
- Conectividade MIDI
- Operação como controlador MIDI USB independente
- Entrada e saída de áudio integradas
- Instalação simplificada para Raspberry Pi 5
A integração completa de áudio elimina a necessidade de interfaces USB externas, enquanto o display facilita ajustes em tempo real.
A conectividade MIDI também amplia o potencial de integração do Lydia em setups de palco e estúdio.
IA continua sendo apresentada como ferramenta criativa, não substituição
A Roland insiste em uma abordagem mais “assistiva” para IA musical. A empresa afirma que o objetivo não é substituir músicos, mas criar novas formas de interação sonora.
O Lydia foi desenvolvido em parceria com a Neutone, empresa especializada em tecnologia musical baseada em modelos neurais.
Segundo a Roland, o formato tradicional de pedal ajuda músicos a explorarem IA de forma menos abstrata e mais tangível. A ideia é usar uma interface familiar para reduzir resistência à tecnologia.
O projeto também segue os “sete princípios para criação musical com IA” estabelecidos pela empresa em 2024.
Projeto ainda não tem previsão de lançamento
Apesar do avanço, a Roland afirma que o Lydia ainda permanece em estágio experimental. A empresa, porém, admite que o interesse do público acelerou discussões internas sobre transformar o conceito em um produto comercial.
Durante a Superbooth 2026, visitantes podem testar o novo protótipo e participar de pesquisas de feedback conduzidas pela empresa.
Caso chegue ao mercado, o Lydia pode se tornar uma das primeiras tentativas relevantes de integrar IA neural diretamente ao fluxo físico de pedais para músicos.




