Billy Corgan criticou duramente a personalidade de Ritchie Blackmore em entrevista recente à revista Guitar Player. O líder da banda americana reconheceu o talento do icônico guitarrista, mas afirmou que seu comportamento difícil prejudica seu reconhecimento na história do rock. “Ele é um dos melhores solistas da história, mas é tão idiota que provavelmente nunca receberá o crédito que merece”, declarou Corgan.
A declaração de Corgan evidencia o paradoxo que acompanha a carreira de Blackmore, músico conhecido tanto por sua genialidade na guitarra quanto por decisões controversas ao longo de sua trajetória musical. O líder dos Smashing Pumpkins não poupou palavras ao avaliar o legado do guitarrista britânico, destacando a dualidade entre seu talento indiscutível e sua personalidade controversa.
Carreira marcada por rupturas e busca pela perfeição
A história de Blackmore no rock é repleta de episódios que demonstram sua personalidade difícil. Em 1975, após forçar a saída de Ian Gillan e demitir o baixista Roger Glover do Deep Purple, ele surpreendeu os demais integrantes ao abandonar a banda para formar o Rainbow.
Nos anos seguintes, Blackmore manteve o padrão de constantes substituições de músicos. Em janeiro de 1977, demitiu o baixista Jimmy Bain por considerá-lo “abaixo do padrão”. O tecladista Tony Carey também deixou a banda pouco depois, cansado do comportamento difícil do guitarrista.
Em entrevista, Blackmore expressou sua frustração com o sistema do show business: “Odeio o show business. Odeio pessoas que se confinam ao sistema. Por que todos têm que dar a entrevista certa no momento certo, estar no programa certo, ser politicamente correto, dizer as coisas certas e estar nas festas certas? Isso me irrita. Por que não posso apenas tocar guitarra? É tudo que quero fazer”, afirmou.
O próprio Blackmore reconhece que sua aparente arrogância esconde profundas inseguranças. “Ainda vivo muito inseguro sobre o que estou fazendo, e cubro isso aparentando confiança, como se soubesse exatamente o que estou fazendo. Eu adoraria tocar com outro guitarrista, embora eu ainda seja inseguro, então esse guitarrista não poderia ser melhor que eu”, declarou.
Blackmore e seus fantasmas
O encontro inicial de Blackmore com Eric Clapton em 1967 ilustra sua mentalidade na época. “Ele era o grande nome da área em ’67. Ele era Deus – dizia-se isso por toda Londres, então eu acreditei. Ele tocava muito lentamente com vibrato, algo que ninguém que eu conhecia se importava porque estavam muito interessados em tocar o mais rápido possível”, disse Blackmore.
Ironicamente, o vibrato que Blackmore inicialmente questionou em Clapton acabou se tornando uma de suas próprias marcas registradas. “Foi muito estúpido dizer isso em retrospecto. Claro que ele toca com vibrato, e por que não?”, admitiu posteriormente.
O guitarrista revelou que sua evolução musical seguiu um caminho inverso ao tradicional. “Eu estava sempre tão nervosamente carregado que tinha que ser rápido. Aprendi ao contrário. Aprendi a ser rápido e agora estou tentando desacelerar e dizer algo. Tocar um solo rápido, suponho, é um pouco como ter sexo de dois segundos”, comparou.
Quanto ao ambiente de estúdio, Blackmore o considera particularmente desafiador: “Preciso de um psiquiatra comigo quando estou no estúdio, dizendo: ‘Está tudo bem, Ritchie. Ninguém te odeia, ninguém está te testando, ninguém está te observando'”, afirmou.



