Com cada vez mais guitarristas adotando modeladores digitais em turnês, a praticidade virou um dos maiores atrativos: equipamentos menores, fáceis de transportar, com timbres programáveis e consistentes em qualquer palco. Mas nem todo mundo está convencido de que essa evolução é positiva.
Em entrevista ao canal do YouTube Products of Music, o fundador da histórica empresa de pedais Analog Man, Mike Piera, afirmou que não tem interesse em amplificadores digitais e que, para ele, a experiência moderna perde totalmente a graça.
“Eu, pessoalmente, não testo essas coisas de modelagem digital”, disse. “Não tenho interesse nelas. Porque, pra mim, isso não tem graça. Para onde você vai depois? Vai só transmitir seu som pela internet e nem precisa tocar guitarra? Eu quero tocar minha guitarra. Quero que ela passe por pedais reais, amps reais e falantes reais.”
Tempero analógico
Mesmo reconhecendo que está frequentemente exposto a rigs digitais, Piera acredita que muitos deles ganham vida quando recebem algum elemento analógico no sinal. Ele cita o clássico overdrive King of Tone como exemplo: “O King of Tone soa bem em um Kemper ou alguns desses amps.”
O profissional relata ter assistido a um show no Madison Square Garden em que um músico — descrito como “um dos melhores guitarristas do mundo” — usava modelador digital com o pedal. Apesar de impressionante, ele diz que o som parecia artificial. “Soava incrível, mas não soava como uma guitarra real. Soava falso”, contou. Ainda assim, em algumas músicas, o som pareceu mais convincente. “Ele ligou o King of Tone em algumas músicas, e ajudou. Soou mais real.”
Piera admite que depender de modeladores e do PA é “certamente mais fácil”, mas questiona se vale o preço sonoro. Para ele, a perda mais clara aparece no sustain. “Se você usa in-ears e está passando pelo PA, você não vai conseguir sustain, porque você consegue sustain pelo som do amplificador indo para a guitarra.”
Por fim, ele reforça que a vibração do amp interagindo com o instrumento é parte importante do resultado — algo que muitos guitarristas buscam no palco ao se movimentarem atrás do “ponto certo” de sustain.
As informações são do site Guitar.com.




