O músico Eric Bibb acredita que todo guitarrista pode se beneficiar de uma formação em violão clássico. Em entrevista à revista Guitarist, o músico refletiu sobre suas primeiras aulas e explicou como esse aprendizado ajudou a construir a base técnica e musical que o acompanha até hoje.
Conhecido por seu trabalho no blues acústico e pelo refinado estilo fingerstyle, Bibb afirmou que os estudos clássicos mudaram sua percepção sobre o instrumento ainda na juventude.
Segundo ele, a principal lição foi compreender que o violão poderia funcionar como uma verdadeira orquestra em miniatura.
O violão como uma orquestra completa
Ao comentar a influência das aulas de violão clássico em sua formação, Bibb destacou a riqueza sonora que descobriu ao explorar o uso simultâneo do polegar e dos dedos da mão direita.
Isso me mostrou desde o início que o violão realmente pode ser uma orquestra”
Eric Bibb
Para o músico, a possibilidade de criar arpejos, vozes independentes e diferentes texturas sonoras abriu um universo de possibilidades que mais tarde se tornaria fundamental para sua linguagem musical.
Essa visão ampliada do instrumento acabou moldando sua forma de compor, acompanhar e improvisar ao longo da carreira.
A ponte entre o clássico e o blues
Bibb explica que a formação clássica se encaixou naturalmente quando ele começou a mergulhar no universo do fingerpicking e dos grandes nomes do blues tradicional.
Entre suas referências está Mississippi John Hurt, conhecido por seu estilo sofisticado de dedilhado. O guitarrista também cita os estudos de arpejos de Matteo Carcassi, frequentemente utilizados no ensino de violão clássico até os dias atuais.
Segundo Bibb, todos esses elementos acabaram se conectando naturalmente em sua evolução como músico.
Técnica a serviço da musicalidade
Ao longo dos anos, o artista chegou a experimentar acessórios como thumbpicks e fingerpicks, mas acabou retornando ao contato direto dos dedos com as cordas.
Nesse processo, uma das influências foi Ry Cooder. Bibb relembra um conselho do músico, que afirmou não existir ferramenta melhor para tocar violão do que a própria mão direita.
A partir dessa ideia, passou a valorizar ainda mais as possibilidades de dinâmica, articulação e expressão oferecidas pelo toque direto nos dedos.
O cuidado necessário para manter o fingerstyle
A técnica, porém, exige alguns cuidados extras. Bibb revelou que utiliza reforços acrílicos em três unhas da mão direita para evitar quebras durante apresentações.
Segundo ele, a experiência mostrou que uma unha danificada no meio de um show pode comprometer significativamente a execução das músicas.
Embora reconheça que o procedimento talvez não seja o mais saudável a longo prazo, o guitarrista encara a prática como parte dos sacrifícios necessários para preservar sua performance.
A fala de Eric Bibb reforça uma visão compartilhada por diversos músicos: o estudo do violão clássico não serve apenas para desenvolver técnica, mas também para ampliar a compreensão musical do instrumento.
No caso do veterano do blues, essa formação ajudou a construir uma abordagem que combina independência dos dedos, riqueza harmônica e expressividade, elementos que continuam sendo marcas registradas de seu trabalho décadas depois.




