O que parecia apenas uma possibilidade se transformou em um dos reencontros mais emblemáticos da história do rock. Ritchie Blackmore voltou a tocar com o Deep Purple na noite de 12 de agosto, durante o show da banda no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York.
A participação marcou a primeira vez que o guitarrista dividiu o palco com o grupo desde 1993, ano em que deixou definitivamente o Deep Purple. E a escolha para o reencontro não poderia ser mais simbólica: Blackmore participou de “Smoke on the Water”, um dos maiores clássicos da banda e um dos riffs mais reconhecidos da história da guitarra.
O retorno havia sido anunciado pelo próprio guitarrista um dia antes, durante uma transmissão ao vivo no Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night. Na ocasião, Blackmore revelou que havia procurado Ian Gillan para propor uma participação durante o bis. A ideia recebeu a aprovação do vocalista e, posteriormente, dos demais integrantes.
A apresentação aconteceu diante do público reunido no Jones Beach Theater. Blackmore apareceu no palco com uma Fender Stratocaster amarela, instrumento que se tornou uma de suas marcas registradas ao longo da carreira.
“Smoke on the Water” fecha o círculo
A escolha de “Smoke on the Water” deu ao reencontro um peso histórico ainda maior.
Lançada originalmente no álbum Machine Head, de 1972, a música se tornou uma das composições mais emblemáticas do Deep Purple. Seu riff de guitarra, criado por Blackmore, atravessou gerações e ajudou a estabelecer uma das assinaturas sonoras mais reconhecíveis do hard rock.
A música também está diretamente ligada à história da própria banda. Sua letra narra o incêndio que destruiu o cassino de Montreux, na Suíça, durante um show de Frank Zappa em 1971. O episódio acabou inspirando a composição de Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord, Ian Paice e Blackmore.
Ao longo das décadas, “Smoke on the Water” se tornou presença constante nos shows do Deep Purple e um dos momentos mais aguardados de suas apresentações.
Por isso, colocar Blackmore novamente diante do público para tocar justamente esse riff funcionou quase como uma volta ao ponto de partida.
Um reencontro que começou como segredo
Blackmore havia tratado sua participação como uma espécie de segredo até revelar a informação durante a transmissão.
Aos 81 anos, o guitarrista demonstrou uma mistura de entusiasmo e cautela ao falar sobre a possibilidade de voltar a tocar rock com seus antigos companheiros. Ele chegou a comentar que não se apresentava regularmente nesse contexto há muitos anos e que estava preocupado com sua condição física.
O guitarrista também contou que havia trocado as cordas de sua Stratocaster, algo que, segundo ele, não fazia havia mais de duas décadas. Um roadie foi enviado antecipadamente ao local do show para preparar seu equipamento.
A preocupação não era apenas artística. Blackmore explicou que precisou lidar com problemas físicos para conseguir permanecer em pé durante a apresentação.
33 anos longe do Deep Purple
Blackmore deixou o Deep Purple pela primeira vez em 1975, após a fase que consolidou sua reputação como um dos guitarristas mais importantes do rock. Naquele momento, criou o Rainbow, projeto que também se tornaria fundamental para sua trajetória.
Ele retornou ao Deep Purple em 1984, participando da reunião da formação clássica. A segunda passagem, entretanto, terminou em 1993.
Desde então, o guitarrista não havia voltado a tocar com o grupo em uma apresentação oficial.
A última participação anterior havia acontecido em novembro de 1993, durante a turnê de The Battle Rages On…. Depois de sua saída, o Deep Purple seguiu com diferentes guitarristas, chegando à formação atual com Simon McBride.





