Aos 65 anos e prestes a entrar no Rock and Roll Hall of Fame, Steve Stevens tem uma opinião clara sobre o que faz a guitarra valer a pena. Em recente entrevista ao canal Thinking About Guitar, o guitarrista de Billy Idol defendeu que o instrumento precisa entreter, e não apenas impressionar pela técnica.
A reflexão surgiu quando o entrevistador, Jonathan Graham, comentou o espaço raro que o rock ainda ocupa na televisão americana. Stevens contou que, nessas aparições, se sente “quase um embaixador da guitarra”, alguém que gosta de dizer às pessoas que peguem o instrumento e aprendam a tocar.
“Ei, isso aqui é muito legal, pega uma e aprende a tocar”, resume.
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Virtuosismo não basta
Mas o convite vem acompanhado de uma ressalva sobre o que, para ele, torna a guitarra atraente de verdade. Stevens reconhece a habilidade técnica dos guitarristas que povoam o YouTube, sem deixar de apontar o que considera o problema desse tipo de conteúdo.
“Você entra no YouTube hoje e vê inúmeros guitarristas sentados no quarto tocando coisas absurdas que eu nem imaginaria fazer, mas não é divertido”, afirma.
Para o guitarrista, a técnica isolada não sustenta o interesse do público. O músico precisa transformar aquilo em algo que entretenha, e não apenas em uma demonstração de destreza.
Essa convicção nasceu da vivência como espectador. Stevens cita as grandes bandas de rock progressivo dos anos 70, como Yes e Emerson, Lake & Palmer, que via ao vivo na adolescência. Segundo ele, mesmo quando a música flertava com o virtuosismo, esses artistas se preocupavam em apresentá-la de forma envolvente, com iluminação, cenografia e senso de espetáculo.
Equilíbrio como método
O guitarrista resume a lição com exemplos de faixas do repertório do próprio Emerson, Lake & Palmer. “Para cada ‘Tarkus’, tinha um ‘Lucky Man’. Você precisa equilibrar”, diz, contrapondo uma das faixas mais complexas do grupo a uma de suas baladas mais diretas.
Esse princípio de equilíbrio ajuda a explicar as escolhas de Stevens ao longo de mais de 40 anos de parceria com Billy Idol. Guitarrista tecnicamente refinado, ele construiu sua reputação menos pela velocidade e mais pela forma como coloca a guitarra a serviço da canção, criando texturas e climas em vez de apenas solos velozes.
A postura de “embaixador” também dialoga com o momento da carreira. Stevens e Billy Idol serão introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame, e o guitarrista atribui o reconhecimento às próprias músicas e à base de fãs, que segundo ele hoje inclui um público mais jovem.
Nesse contexto, aproximar novas pessoas do instrumento soa como uma extensão natural do trabalho que vem fazendo há décadas.
Assista a entrevista na íntegra, em inglês, no vídeo abaixo:





