Uma declaração do CEO da Fender, Edward “Bud” Cole, voltou a repercutir nas redes sociais e provocou críticas de músicos e criadores de conteúdo ligados ao universo da guitarra. Durante uma entrevista concedida à revista T3, publicada em maio deste ano, o executivo afirmou que “a produção de covers já é uma IA analógica há muito tempo”, comentário que voltou a circular após debates recentes sobre inteligência artificial na música.
Entenda o caso
Na entrevista, Cole defendia que a inteligência artificial deve ser encarada como mais uma evolução tecnológica dentro da indústria musical. Para ilustrar sua visão, relembrou que a própria Telecaster, quando foi lançada, também enfrentou resistência antes de se tornar um clássico.
Foi nesse contexto que afirmou:
“Acho que a IA existe na música desde que existe música gravada. Na verdade, acredito que as versões cover de músicas já são uma espécie de IA analógica há muito tempo.”
Segundo o executivo, ferramentas de IA podem ajudar músicos a explorar novas possibilidades criativas e ir além de fórmulas já conhecidas.
Comunidade contesta comparação
Embora Cole tenha defendido a IA como ferramenta de apoio à criatividade, a comparação entre bandas cover e inteligência artificial foi recebida de forma negativa por parte da comunidade.
O youtuber Rhett Shull, que recentemente denunciou o uso de IA para replicar sua imagem e seu conteúdo, criticou a declaração. Outro nome que reagiu foi Josh Scott, fundador da JHS Pedals, que também já se manifestou diversas vezes sobre os riscos da IA para músicos e criadores. O canal SamuraiGuitarist dedicou um vídeo inteiro ao tema.
As principais críticas apontam que tocar em uma banda cover exige habilidades que vão muito além da reprodução de músicas, incluindo interpretação, interação entre músicos, desenvolvimento técnico, experiência de palco e construção de identidade musical.
Debate acontece em meio a outras polêmicas sobre IA
A repercussão ocorre em um momento em que a indústria da guitarra acompanha uma série de discussões envolvendo inteligência artificial.
Nos últimos meses, empresas e criadores de conteúdo enfrentaram questionamentos sobre o uso da tecnologia em demonstrações de equipamentos, enquanto músicos também denunciaram o uso indevido de suas imagens, vídeos e performances para alimentar sistemas de IA.
Nesse cenário, a fala de Bud Cole acabou ampliando um debate que segue dividindo opiniões: até que ponto a inteligência artificial pode ser vista como uma ferramenta criativa sem reduzir o valor da experiência humana na música? Para muitos guitarristas, comparar uma banda cover a um sistema de IA ignora justamente o elemento que torna uma apresentação ao vivo única: a interpretação e a conexão entre músicos e público.





