A Guitar Center quer deixar de ser apenas um lugar onde músicos compram equipamentos. A estratégia atual da maior rede de lojas de instrumentos dos Estados Unidos é transformar seus estabelecimentos em uma espécie de “Disneylandia para guitarristas”.
A expressão foi usada pelo CEO da empresa, Gabe Dalporto, para definir a nova experiência que a varejista pretende oferecer aos músicos. A proposta envolve permitir que clientes testem instrumentos, participem de eventos, conheçam outros artistas e tenham motivos para permanecer nas lojas.
E os primeiros resultados indicam que a mudança está funcionando.
Segundo dados divulgados pela empresa, a Guitar Center acumula nove trimestres consecutivos de crescimento. No trimestre mais recente, as vendas aumentaram 5,2%, chegando a US$ 635 milhões.
Além disso, o tempo de permanência dos clientes nas aproximadamente 300 lojas cresceu 16% em relação ao ano anterior. O fluxo de visitantes também voltou a subir pela primeira vez em mais de uma década.
Menos loja de passagem, mais espaço para tocar
Dalporto, que também é guitarrista, afirma que a Guitar Center havia se afastado de seu público mais fiel antes de sua chegada ao cargo de CEO, em 2023.
Naquele período, cerca de 70% dos produtos vendidos pela rede estavam concentrados em equipamentos de entrada. A empresa decidiu inverter essa lógica e atualmente aproximadamente 70% do estoque é direcionado a músicos considerados mais experientes.
A mudança, porém, não envolve apenas produtos mais caros.
Instrumentos passaram a ficar mais acessíveis para testes, com guitarras e teclados posicionados para que os clientes possam experimentá-los sem precisar pedir ajuda constantemente aos funcionários.
A empresa também reforçou o treinamento das equipes e ampliou a realização de workshops, encontros e eventos com músicos e produtores.
A intenção é fazer com que cada unidade tenha uma identidade própria e mantenha conexões com a cena musical de sua região.
Guitar Center quer criar sua própria guitarra
A estratégia também chegou aos produtos de marca própria.
A Guitar Center está desenvolvendo uma nova guitarra e, inicialmente, chegou a considerar uma versão inspirada na Telecaster. A ideia, porém, foi descartada por Dalporto.
Segundo o executivo, “a última coisa que o mundo precisa é de mais uma Telecaster”.
Em vez disso, a empresa está consultando guitarristas para descobrir quais características eles realmente gostariam de encontrar em um instrumento moderno.
A Guitar Center também incorporou inteligência artificial ao negócio. Entre as iniciativas está o Rig Advisor, ferramenta capaz de sugerir equipamentos a partir de referências sonoras, além do uso de IA em treinamento e processos internos.
Apesar dos avanços, a companhia ainda enfrenta desafios financeiros e um mercado pressionado por tarifas e mudanças nos hábitos de consumo.
A aposta de Dalporto, porém, é justamente em algo que uma loja virtual dificilmente consegue reproduzir: a experiência de pegar uma guitarra, plugar um amplificador, conversar com outro músico e simplesmente ficar por ali.
No fim das contas, a “Disneylandia para músicos” proposta pela Guitar Center parece ter uma atração bastante simples: deixar o guitarrista tocar.





