O guitarrista de estúdio Guthrie Trapp voltou a questionar a ideia de que guitarras vintage são automaticamente superiores às modernas.
Com mais de duas décadas de atuação em Nashville, ele afirma que a qualidade de uma guitarra se revela na prática, quando o instrumento deixa de impor obstáculos ao músico.
Para Trapp, o objetivo de qualquer equipamento é simples: permitir que a execução aconteça sem distrações técnicas.
“Tudo o que você está tentando fazer com o equipamento é chegar ao ponto em que não pensa mais nas limitações dele”, afirmou. As declarações foram dadas durante entrevista ao podcast The Zak Kuhn Show.
Experiência em estúdio moldou sua visão sobre instrumentos
Embora seja frequentemente associado ao country, Trapp construiu uma carreira ampla como músico de estúdio.
Ao longo dos anos, recebeu elogios de artistas como Billy Gibbons e trabalhou com nomes como Vince Gill e Mike Gordon. Esse percurso o levou a observar com atenção como diferentes instrumentos respondem em situações reais de gravação e performance.
Trapp reconhece qualidades em guitarras antigas, especialmente na escolha da madeira e no cuidado da construção.
“À medida que envelheço, percebo como é especial tocar instrumentos feitos com madeira bem seca e construídos com bastante atenção”, explicou.
Guitarras novas também podem desenvolver personalidade
Mesmo reconhecendo características interessantes em instrumentos antigos, o guitarrista não vê a idade como fator decisivo.
Segundo ele, guitarras modernas podem desenvolver personalidade com o tempo de uso.
“Instrumentos novos também podem ter personalidade. Eles só precisam ser tocados e usados”, disse. “A sensação de algo recém-saído da fábrica nem sempre me agrada, mas eu não sou um puxa-saco”, compeltou.
A declaração contrasta com a postura de músicos e colecionadores que priorizam instrumentos de períodos específicos de produção.
Tocabilidade e resposta das cordas são os critérios principais
Segundo Trapp, o ponto mais importante de qualquer guitarra está no contato entre cordas e trastes. Esse aspecto determina a clareza das notas, a estabilidade da afinação e a confiança do músico ao tocar.
“O que eu procuro em uma guitarra é o ponto de contato, onde a corda encontra os trastes”, explicou. Ele lista algumas perguntas essenciais durante a avaliação:
- As notas soam claras e fortes em todas as posições?
- A regulagem do instrumento é confortável?
- É possível fazer bends sem perder controle da corda?
- O instrumento responde bem em todo o braço?
Outro fator importante para o músico é o peso. “Na maioria dos casos, quanto mais leve, melhor”, definiu.
Vintage virou obsessão entre colecionadores e músicos
Nos últimos anos, guitarras vintage passaram a ocupar um espaço cada vez maior no mercado de instrumentos.
Alguns músicos construíram parte da própria reputação com base nessa busca. Um exemplo frequentemente citado é o guitarrista Joe Bonamassa, conhecido por sua coleção de instrumentos raros.
Trapp, no entanto, prefere concentrar sua atenção em aspectos mais práticos. Em vez de perseguir anos específicos de produção ou captadores lendários, ele prioriza sensação, resposta e conexão física com o instrumento. Para o guitarrista, é essa relação direta que realmente influencia o resultado musical.
Confira a entrevista completa abaixo:





