O guitarrista de blues Joe Bonamassa afirmou que muitos músicos cometem um erro comum ao microfonar amplificadores de guitarra: posicionar o microfone diretamente no centro do cone do alto-falante.
Durante participação recente no podcast No Cover Charge, o músico criticou a prática e disse que ela costuma gerar uma leitura incompleta do som real produzido pela caixa. Segundo ele, a técnica virou quase um padrão entre guitarristas e técnicos de áudio, mas raramente deveria ser o ponto inicial da captação.
Bonamassa brincou com o que chamou de técnica da “full sail flashlight”, uma referência irônica à prática ensinada por alguns cursos de áudio que usam uma lanterna para localizar o centro do falante.
O guitarrista afirmou que sempre que vê essa abordagem sendo aplicada, costuma questionar o resultado.
“Quem disse que o melhor som de uma caixa de som vem exatamente do centro?”, comentou.
Para ele, começar a microfonação nessa posição pode levar a um som excessivamente brilhante e pouco representativo do comportamento real do gabinete.
Centro do cone concentra frequências mais agudas

De acordo com Bonamassa, o motivo está na forma como o alto-falante distribui as frequências.
Segundo o músico, a região central do cone concentra principalmente a resposta de altas frequências, enquanto a percepção de graves vem mais do conjunto da caixa.
“Você acaba ouvindo apenas uma parte do que o gabinete está fazendo”, explicou.
Por isso, ele defende que o posicionamento do microfone deve variar conforme o caráter do amplificador.
Ajuste do microfone deve ser guiado pelo ouvido
Em vez de seguir uma fórmula fixa, Bonamassa recomenda experimentar diferentes posições até encontrar o equilíbrio desejado entre brilho, corpo e definição.
Se o som estiver muito escuro, por exemplo, o microfone pode ser movido gradualmente em direção ao centro do falante. Ainda assim, ele não considera essa posição o ponto ideal de partida.
Para o guitarrista, a microfonação deve ser encarada como parte essencial da cadeia de sinal.
“Tudo começa com a guitarra e o amplificador, mas há muitos elos nessa corrente”, explicou. O recado do mestre, você confere no vídeo abaixo:
Experiência com amplificadores molda a opinião do guitarrista
Conhecido por sua extensa coleção de equipamentos vintage, Bonamassa construiu sua reputação explorando diferentes combinações de amplificadores valvulados e caixas acústicas.
Ao longo da carreira, ele também se destacou por usar equipamentos raros, incluindo modelos históricos como amplificadores da marca Dumble Amplifiers.
Segundo o músico, compreender detalhes aparentemente pequenos, como a posição do microfone, pode determinar se um timbre funciona ou não em uma gravação ou apresentação ao vivo.
“Não deve ser um acidente”, afirmou. “Deve ser um plano bem executado.”




