O guitarrista Keith Richards voltou a demonstrar seu ceticismo em relação à tecnologia moderna. Em uma nova entrevista ao jornal britânico The Guardian, o músico afirmou estar cansado da crescente dependência tecnológica e fez críticas diretas à inteligência artificial, aos smartphones e à digitalização da produção musical.
Conhecido por sua preferência por métodos tradicionais de gravação e composição, Richards afirmou que acompanha com preocupação os avanços recentes da tecnologia e os possíveis impactos sobre a música e a sociedade.
“A inteligência artificial está me matando”
Durante a conversa, o guitarrista não escondeu sua insatisfação com a popularização da inteligência artificial.
Segundo Richards, sua relação com a tecnologia moderna é mínima. O músico brincou dizendo que utiliza apenas uma chaleira elétrica no dia a dia e prefere manter hábitos que considera mais simples e autênticos.
Ao comentar sobre IA, ele foi direto:
“A inteligência artificial está me matando. Temo pelo futuro da música? Temo pelo futuro de tudo.”
O guitarrista também afirmou que a velocidade com que essas ferramentas estão sendo adotadas gera incertezas sobre suas consequências a longo prazo.
Keith Richards questiona evolução tecnológica na produção musical
O integrante dos The Rolling Stones também refletiu sobre as transformações que testemunhou ao longo de mais de seis décadas de carreira.
Segundo ele, a passagem das gravações analógicas para os sistemas digitais trouxe mudanças profundas para a indústria, mas não necessariamente benefícios artísticos.
Richards relembrou ter acompanhado a evolução dos estúdios desde a era das gravações em duas pistas até os sistemas digitais modernos.
Para o músico, o aumento dos recursos tecnológicos não resultou automaticamente em músicas melhores.
Vi as gravações passarem de duas pistas para oito, depois 16, 24 e finalmente para o digital. Isso não ajudou em nada a música”
Keith Richards
Smartphone também entrou na mira do guitarrista
Além da inteligência artificial, os celulares também foram alvo das críticas do músico. Richards afirmou acreditar que o mundo seria melhor sem os smartphones e lamentou a forma como a tecnologia passou a dominar a vida cotidiana.
Apesar da postura crítica, o guitarrista reconheceu que a evolução tecnológica é um processo inevitável e que músicos precisam aprender a conviver com essas mudanças.
De uma fita cassete nasceu “(I Can’t Get No) Satisfaction”
Curiosamente, Richards reconhece que algumas tecnologias tiveram papel importante em sua trajetória criativa.
Durante a entrevista, ele relembrou a história da criação do riff de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, um dos maiores clássicos da carreira dos Stones. Segundo o músico, a ideia surgiu durante o sono e só foi preservada porque ele gravou rapidamente o riff em uma fita cassete antes de voltar a dormir.
No dia seguinte, ao ouvir a gravação, encontrou a base da música que se transformaria em um dos maiores sucessos da história do rock.
Rolling Stones se preparam para lançar novo álbum
As declarações acontecem em um momento de intensa atividade para a banda. Recentemente, a banda anunciou o seu 25º álbum de estúdio, intitulado Foreign Tongues. O trabalho sucede Hackney Diamonds, lançado em 2023, e chega ao mercado em 10 de julho.
A produção novamente ficou sob responsabilidade de Andrew Watt, que também trabalhou no álbum anterior do grupo.
Enquanto o novo disco se aproxima, Keith Richards deixa claro que continua desconfiado dos rumos tecnológicos da indústria musical, reforçando uma visão que acompanha sua carreira há décadas: para ele, a essência da música continua estando muito mais nas pessoas do que nas máquinas.





