Durante décadas, fãs do Deep Purple trataram a relação entre Ritchie Blackmore e Ian Gillan como uma das rivalidades mais intensas da história do rock. Agora, o guitarrista voltou a explicar por que a formação clássica da banda chegou a um ponto sem retorno.
Em um trecho do documentário The Ritchie Blackmore Story, Blackmore afirmou que o problema nunca foi a falta de respeito entre os dois, mas a impossibilidade de coexistirem criativamente.
“Ele era um cara alfa. Eu também era. Ele queria controlar, eu queria controlar.”
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A declaração ganha ainda mais peso depois do emocionante reencontro entre Blackmore e o Deep Purple, realizado em agosto de 2026, quando os dois músicos dividiram o palco pela primeira vez em mais de três décadas.
Dois líderes, uma banda
A formação Mark II do Deep Purple é considerada por muitos como a mais importante da carreira do grupo. Ao lado de Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, Blackmore e Gillan gravaram álbuns fundamentais como In Rock, Fireball e Machine Head, além de clássicos como “Highway Star” e “Smoke on the Water”.
Mas, enquanto o sucesso crescia, a convivência diminuía.
Segundo Blackmore, chegou um momento em que ele e Gillan simplesmente deixaram de conversar.
“Ainda nos respeitávamos, mas nunca nos demos bem. Simplesmente não conseguíamos ficar no mesmo ambiente. Eu não falava com ele; ele não falava comigo. Não conseguíamos ser criativos.”
A ausência de diálogo acabou afetando diretamente o processo de composição da banda.
O álbum gravado em silêncio
A situação azedou de vez durante a produção de Who Do We Think We Are, último disco da formação antes da saída de Gillan.
O baixista Roger Glover chegou a afirmar, anos depois, que os dois praticamente não trocaram uma palavra durante o último ano de vida daquela formação. Para ele, a rivalidade criou uma dinâmica destrutiva: quanto mais um insistia em determinada direção, mais o outro fazia questão de seguir o caminho oposto.
Mesmo cercado por tensão, o álbum foi um sucesso comercial, alcançando o Top 5 no Reino Unido e chegando ao Top 15 nos Estados Unidos.
A Stratocaster que virou extensão de Blackmore
Naquele período, Blackmore já era um dos guitarristas mais influentes do rock. Seus solos, a abordagem neoclássica e a maneira quase teatral de tocar uma Stratocaster ajudaram a construir uma identidade visual e sonora que marcaria gerações.
Curiosamente, enquanto a banda vivia seu auge artístico, seus dois protagonistas já sabiam que a convivência estava perto do fim.
Segundo Blackmore, Gillan concordou em deixar o grupo cerca de 18 meses antes da ruptura definitiva.
O reencontro que parecia impossível
Durante muito tempo, a ideia de ver Blackmore e Gillan novamente no mesmo palco parecia improvável. Por isso, o reencontro de agosto de 2026 foi recebido como um momento histórico pelos fãs do Deep Purple.
Após a apresentação, Gillan surpreendeu o público ao receber o antigo companheiro com entusiasmo.
“Foi um prazer absoluto ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore.”
A cena encerrou um capítulo que parecia impossível de reabrir. Mais de cinquenta anos depois das discussões que ajudaram a desmontar a formação Mark II, dois músicos conhecidos por personalidades fortes mostraram que o respeito conseguiu sobreviver onde a convivência, um dia, falhou.





