O guitarrista do Queen voltou a colocar a inteligência artificial no centro do debate ao compartilhar uma experiência que, para ele, demonstra justamente as limitações da tecnologia.
Brian May pediu à Meta AI que recriasse a capa de The Game, álbum lançado pelo Queen em 1980. O resultado, segundo o músico, ficou distante do material original e serviu como combustível para sua conhecida posição crítica em relação ao avanço da inteligência artificial.
Em publicação nas redes sociais, May apresentou a imagem produzida pela ferramenta e questionou, em tom irônico, se aquele seria o tipo de inteligência que pretende ocupar cada vez mais espaço na sociedade.
A provocação não é exatamente nova. O guitarrista já manifesta preocupação com o impacto da IA sobre a criação artística há alguns anos. Em 2023, em entrevista à Guitar Player, May chegou a projetar que aquele poderia ser o último período em que os seres humanos manteriam domínio sobre o cenário musical.
Desta vez, porém, o músico decidiu recorrer à própria tecnologia que critica para construir seu argumento.
Um teste que virou provocação
A escolha de The Game não é casual. O álbum marcou uma importante fase da trajetória do Queen e reúne músicas como “Crazy Little Thing Called Love” e “Another One Bites the Dust”.
Ao comparar a recriação produzida pela IA com a identidade visual do disco original, May aproveitou o resultado para questionar a capacidade dessas ferramentas de reproduzir elementos que dependem de contexto, intenção artística e referências culturais.
Mais do que avaliar tecnicamente a ferramenta, o guitarrista direcionou sua crítica para a ideia de que sistemas de inteligência artificial possam assumir um papel cada vez maior em processos criativos.
Para May, existe uma diferença fundamental entre gerar uma imagem ou uma música a partir de instruções e construir uma obra a partir de experiência, repertório e intenção humana.
Brian May também critica expansão da infraestrutura de IA
A preocupação do guitarrista não se limita ao campo artístico.
May também se posicionou contra projetos de expansão de centros de dados destinados a serviços de inteligência artificial no Reino Unido. O músico argumenta que essas estruturas podem representar custos ambientais significativos, especialmente pelo consumo de energia e água.
A crítica amplia o debate para além da música. Para o guitarrista, a discussão sobre IA envolve não apenas o que a tecnologia consegue produzir, mas também quais recursos são necessários para sustentar seu crescimento.
O tema ganhou força justamente em um momento em que empresas de tecnologia aceleram investimentos em infraestrutura para atender à crescente demanda por sistemas generativos.
Música também entra na discussão
Enquanto Brian May questiona a presença da IA na criação artística, o mercado musical começa a desenvolver mecanismos para diferenciar conteúdo humano de produções associadas a personagens artificiais.
O Spotify anunciou que passará a identificar determinados perfis como “AI Persona” a partir de setembro. A medida pretende deixar mais claro para o público quando um perfil de artista representa uma identidade criada artificialmente.
Segundo a plataforma, esses perfis não serão incluídos, por padrão, em recomendações editoriais ou personalizadas. O sistema também deverá combinar autodeclaração dos criadores, análise humana e ferramentas automatizadas para identificar possíveis identidades artificiais.
A decisão mostra como a discussão deixou de ser apenas filosófica. Plataformas, músicos e empresas precisam agora lidar com uma quantidade crescente de conteúdo produzido ou modificado com auxílio de inteligência artificial.





