O guitarrista Eric Gales, conhecido pelo virtuosismo no blues-rock, revelou que passa longos períodos sem sequer encostar em uma guitarra — e que isso não é descuido, mas parte essencial do seu processo criativo. Em conversa recente com Rick Beato, o músico explicou que, para ele, tocar bem depende justamente de não ficar obcecado pelo instrumento fora do palco.
Segundo Gales, o principal passo para soar mais livre e expressivo é tirar a mente do caminho. “A primeira e principal coisa que eu faço é tirar completamente minha cabeça do caminho”, explicou. “Quanto menos eu penso nisso, mais fluente e expressivo isso vai ser para mim. Não tem preparação prévia, não tem pensamento…”
Essa filosofia se reflete na rotina antes dos shows. Enquanto muitos fazem aquecimento nos bastidores, Gales diz que prefere chegar “frio”. “Muitos artistas, antes do show, estão nos bastidores aquecendo os dedos e tal. Eu não faço nada disso”, contou. “Se eu não estou em turnê ou fazendo uma sessão ou algo assim, é muito raro eu sequer mexer numa guitarra. Pode passar semanas, meses sem eu tocar.”
Pura inspiração
Quando pega o instrumento em casa, normalmente é por impulso, motivado por algo que ouviu. “Talvez eu tenha ouvido um comercial na TV que despertou meu interesse”, disse. “Ou vi alguém fazer um riff nas redes sociais.” Nessas horas, o foco não é prática disciplinada, mas um desafio pessoal. “Eu consigo imitar isso?”, afirmou. “Só para me desafiar… para ver se eu ainda tenho o mecanismo de aprendizado que eu tinha quando era criança.”
Gales ainda comentou que, no tempo livre, costuma se aproximar mais de bateria ou teclado do que da guitarra. Para ele, a distância cria intensidade: “Quanto mais longe eu fico disso, mais intenso é quando eu volto.” Ele ressalta, porém, que não recomenda essa abordagem para iniciantes.
No fim, o guitarrista diz que sua força vem de um lugar emocional e espiritual. “Eu tenho uma fonte que eu acesso e acredito plenamente que vem de um lugar muito acima da minha cabeça”, declarou. “Eu consigo acessar isso a qualquer hora do dia… Não importa.” E completou: “É uma quantidade intensa e absurdamente profunda de dor de onde eu toco toda noite… Mas, se isso inspirar alguém, então valeu a pena.”
As informações são do site Guitar.com.




