O CEO da Fender, Edward “Bud” Cole, se pronunciou publicamente sobre a crescente controvérsia envolvendo a campanha jurídica da empresa contra fabricantes que utilizam formatos de corpo semelhantes ao da Stratocaster.
Durante um recente encontro com revendedores, cujas imagens foram posteriormente divulgadas online, o executivo defendeu a postura da Fender e afirmou que a empresa não pretende permitir que o legado do instrumento criado por Leo Fender seja enfraquecido.
“Não vamos deixar que esse legado seja apagado, nem vamos permitir que ele seja diluído”, declarou.
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A fala surge em meio às críticas geradas pelas notificações extrajudiciais enviadas pela Fender a fabricantes de guitarras que comercializam instrumentos inspirados no tradicional formato Stratocaster.
Campanha jurídica ganhou força após decisão favorável na Europa
A atual ofensiva da Fender teve início após uma decisão judicial obtida pela empresa na Alemanha no começo deste ano.
Segundo a fabricante, a decisão reconheceu direitos aplicáveis sobre o design da Stratocaster dentro da União Europeia, fortalecendo sua capacidade de contestar modelos considerados excessivamente semelhantes ao instrumento original.
Nas últimas semanas, empresas como a LsL Instruments e a PRS Guitars confirmaram publicamente o recebimento de notificações relacionadas ao caso. A situação ganhou ainda mais repercussão devido ao envolvimento indireto da Silver Sky, modelo signature de John Mayer produzido pela PRS.
“A Fender não está processando ninguém”
Durante sua apresentação, Cole procurou afastar a percepção de que a empresa estaria promovendo uma ofensiva agressiva contra concorrentes.
“Antes de mais nada, a Fender não está processando ninguém”, afirmou.
Segundo o executivo, a companhia apenas iniciou conversas com fabricantes cujos instrumentos se aproximariam excessivamente do desenho original da Stratocaster.
Cole também criticou a utilização de termos como “modelo S” ou “formato S”, argumentando que essas expressões minimizam a importância histórica da contribuição de Leo Fender para a indústria musical.
“Chamá-la simplesmente de estilo S ou formato S é uma tentativa de diminuir a contribuição revolucionária que Leo e sua equipe deram ao setor.”
Fender nega intenção de destruir estoques
Um dos pontos mais criticados nas notificações enviadas pela empresa envolvia a possibilidade de destruição de produtos considerados infratores.
A cláusula gerou forte reação entre fabricantes, lojistas e músicos.
No entanto, o CEO afirmou que esse não é o objetivo da companhia.
“Não haverá destruição de estoque. Esses comentários foram infelizes. Não estamos pedindo a ninguém que destrua estoque.”
Segundo Cole, a preferência da Fender é buscar soluções negociadas, incluindo ajustes de design e períodos de transição que permitam a comercialização dos instrumentos já produzidos.
A declaração reforça posicionamentos anteriores divulgados pela empresa, que já havia afirmado não buscar medidas extremas contra fabricantes concorrentes.
Foco está na União Europeia
Outro ponto esclarecido pelo executivo diz respeito ao alcance da campanha jurídica.
Segundo ele, as ações atuais estão concentradas exclusivamente em produtos fabricados, comercializados ou vendidos dentro da União Europeia.
“Esse esforço decorre diretamente da recente decisão judicial da União Europeia”, explicou.
A fala sugere que, pelo menos neste momento, a Fender não pretende ampliar imediatamente a iniciativa para mercados como os Estados Unidos.
Debate pode redefinir o futuro dos modelos inspirados na Stratocaster
A controvérsia tem provocado intenso debate na indústria de instrumentos musicais.
Há décadas, fabricantes de todos os portes produzem guitarras inspiradas na silhueta da Stratocaster, considerada um dos designs mais influentes da história da música.
Críticos da iniciativa argumentam que o formato já se tornou parte da linguagem visual da guitarra elétrica moderna.
Já a Fender sustenta que proteger o design é uma forma de preservar o valor histórico e comercial de uma de suas criações mais importantes.
Com o prazo mais recente para resposta às notificações já encerrado, a expectativa agora gira em torno dos próximos capítulos de uma disputa que pode impactar fabricantes boutique, grandes marcas e o mercado global de guitarras.
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