A disputa judicial envolvendo o formato da Stratocaster ganhou um novo e importante capítulo. Após conquistar na Alemanha uma decisão que reconhece proteção ao desenho do corpo da guitarra em toda a União Europeia, a Fender enviou uma notificação formal à Yamaha, ampliando sua campanha contra fabricantes de instrumentos inspirados no modelo criado por Leo Fender.
A informação foi confirmada pela própria Yamaha à agência Reuters. A fabricante japonesa informou que recebeu a notificação, mas ainda analisa quais modelos foram citados e como responderá à solicitação.
Ofensiva começou após decisão favorável na Europa
Desde março, a Fender vem notificando fabricantes e varejistas para interromper a produção e a comercialização de guitarras que utilizem formatos considerados semelhantes ao da Stratocaster.
A iniciativa teve início após um tribunal alemão reconhecer proteção ao design do instrumento em toda a União Europeia, fortalecendo a estratégia da empresa para defender um de seus desenhos mais icônicos.
Segundo a Fender, proteger esses projetos faz parte de sua responsabilidade como guardiã da marca e de seu legado.
Yamaha é o maior desafio até agora
A entrada da Yamaha na disputa representa uma mudança de escala no caso.
Maior fabricante de instrumentos musicais do mundo, a empresa possui linhas como a Pacifica, lançada em 1990, frequentemente associada ao tradicional formato Stratocaster. A fabricante japonesa, no entanto, não revelou quais modelos foram questionados pela Fender.
Até então, as notificações haviam sido direcionadas principalmente a fabricantes menores e varejistas europeus.
Mercado acompanha com preocupação
A ofensiva da Fender provocou reações imediatas dentro da indústria.
Empresas como a varejista alemã Thomann, responsável pelas guitarras Harley Benton, contestaram judicialmente a iniciativa, alegando que impedir a comercialização de instrumentos inspirados na Stratocaster comprometeria a diversidade do mercado.
O advogado especializado em propriedade intelectual Philip Cupitt afirmou à Reuters que a Fender pode ter subestimado a reação da comunidade de músicos e fabricantes.
Debate divide fabricantes e guitarristas
A discussão também ganhou força entre músicos.
O guitarrista e criador de conteúdo Rhett Shull afirmou que muitos instrumentistas enxergam hoje o formato da Stratocaster como um desenho praticamente genérico, consolidado após décadas sendo reproduzido por inúmeras fabricantes.
Por outro lado, a Fender defende que proteger seus projetos históricos incentiva a inovação e desencoraja a reprodução direta de um design pioneiro.
O que acontece agora?
Por enquanto, a disputa está concentrada na União Europeia. Nos Estados Unidos, a Fender tentou registrar o formato da Stratocaster como marca em 2009, mas teve o pedido negado e não recorreu da decisão.
Agora, com a Yamaha oficialmente envolvida no caso, a batalha jurídica ganha um novo peso e pode definir os rumos de um mercado que, há décadas, convive com guitarras inspiradas em um dos desenhos mais famosos da história da música.
Leia também:
- “Não odiamos a Fender”: LSL Instruments defende diálogo e vê ação da Thomann como esperança para fabricantes boutique
- Guerra da Stratocaster: Thomann entra na Justiça contra Fender para defender fabricantes de guitarras estilo S
- CEO da Fender defende ofensiva contra modelos inspirados na Stratocaster: “Não vamos deixar que esse legado seja apagado”
- Vitória da Fender na Alemanha reacende debate sobre o uso do formato da Stratocaster
- Fender entra em rota de colisão com dois dos maiores criadores de conteúdo de guitarra do mundo
- Enquanto amplia batalha legal contra modelos S, Fender lança grande campanha promocional nos EUA
- Fender amplia disputa judicial contra guitarras “estilo S” e acende alerta na indústria global
- Advogado que já derrotou a Fender aponta 6 razões pelas quais empresa pode perder nova batalha pela Stratocaster
- Fender esclarece estratégia contra cópias da Stratocaster e diz que alvo são “clones quase idênticos”
- Fender fala em “mal-entendidos” após notificações; PRS confirma ter recebido carta extrajudicial





